Concurso oferece 43 vagas para professor efetivo no CEFET-MG

Edital traz oportunidades para os campi de Araxá, Belo Horizonte, Curvelo, Divinópolis, Leopoldina, Nepomuceno, Timóteo e Varginha
Já está disponível o edital para o concurso de provas e títulos destinado ao provimento, em caráter efetivo e em regime de dedicação exclusiva, de cargos do magistério federal da carreira do ensino básico, técnico e tecnológico do CEFET-MG. As inscrições estarão abertas no período de 20 de fevereiro a 12 de março de 2018 e a primeira etapa da prova será realizada entre 30 e 90 dias após o término das inscrições.

É exigido do candidato o título de graduação como escolaridade mínima com, preferencialmente, pós-graduação stricto sensu na área do concurso. As vagas contemplam várias áreas e estão distribuídas entre os campi de Araxá, Belo Horizonte, Curvelo, Divinópolis, Leopoldina, Nepomuceno, Timóteo e Varginha. O prazo de validade da seleção é de um ano, contado da data da publicação da homologação do resultado final no Diário Oficial da União (DOU), podendo ser prorrogado por igual período.

Os interessados devem acompanhar as demais publicações referentes ao concurso no site http://www.concursopublico.cefetmg.br . As vagas disponíveis, a distribuição por campus, o conteúdo programático e outras informações estão disponíveis nos editais.

Concurso do CEFET-MG 
para professor efetivo

Edital Geral nº 125 e editais específicos publicados no DOU

Período de inscrições: 20 de fevereiro a 12 de março

Outras informações serão disponibilizadas no site http://www.concursopublico.cefetmg.br

CEFET-MG abre 20 vagas para professores substitutos

As inscrições para processo seletivo simplificado que visa à contratação de professores por tempo determinado no CEFET-MG estão abertas até o dia 21 de janeiro. Ao todo, são 20 vagas distribuídas nos campi Araxá, Belo Horizonte, Contagem, Divinópolis, Leopoldina, Nepomuceno, Timóteo e Varginha.

A seleção será constituída por análise de currículo, entrevista e prova didática ou prova escrita, sendo todas as etapas de caráter eliminatório e classificatório. As inscrições devem ser realizadas exclusivamente pela internet.

Os selecionados irão atuar na Educação Profissional e Tecnológica de Nível Médio e no Ensino Superior e a remuneração inicial será aplicada de acordo com a legislação vigente. A carga horária varia de 40(quarenta) ou 20(vinte) horas semanais correspondentes aos encargos didáticos e demais atividades inerentes ao cargo. A titulação mínima e outras informações sobre a seleção estão disponíveis no edital.

Há vagas para as disciplinas de Algoritmos e Lógica de Programação (Prática); Aplicações para WEB I (Teoria e Prática); Redes de Computadores (Teoria e Prática); Sistemas Operacionais (Teoria e Prática); Física; Modelagem do vestuário; Modelagem Informatizada; Tecnologia de Corte Industrial; Composição Criativa e Fotografia; Técnicas de Ilustração de Moda; Aplicação para Web; Gestão e Empreendedorismo; Fundamento de Informática; Projeto de Sistemas; Programação para Web I; Programação para Web II; Linguagem de Programação I; Linguagem de Programação II; Sistemas para Internet e Programação para Web; Língua Portuguesa; Química; Metalurgia e Tratamento de Minérios; Topografia; Materiais de Construção;  Legislação e Segurança do Trabalho;  Tecnologia das Construções; Laboratório de Química; Eletrônica Digital; Instrumentação e Telecomunicações (Ondas Eletromagnéticas); Usinagem Convencional; Geografia; Termodinâmica; Fenômenos de Transportes; Geração, Distribuição e Utilização de Vapor; Graduação em: Engenharia Mecânica; Estatística; Instalações Elétricas; Máquinas Elétricas;  Comandos e Acionamentos Elétricos; Circuitos Elétricos; Administração Financeira e Contábil; Sistemas de Informações Gerenciais; Gestão de Projetos; Administração da Produção; e Gestão da Qualidade.

Fapemig lança programa de apoio à mobilidade internacional de pesquisa

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) lança edital 14/2017 para o Programa de Apoio à Mobilidade de Pesquisa Fapemig e Universidade do Texas, em Austin. A iniciativa visa fortalecer as cooperações científicas entre pesquisadores de Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs) do Estado e da Universidade do Texas, por meio do financiamento de bolsas de no mínimo três e no máximo 12 meses de duração.

Os valores das mensalidades das bolsas variam conforme a classificação do candidato, presente nas regras específicas da modalidade Bolsa Pesquisador Visitante (http://www.fapemig.br/apoio/tabelas-vigentes-0/). Ao todo, estão sendo destinados R$ 65 mil.

As propostas deverão ser submetidas, por meio do sistema Everest, até o dia 19 de fevereiro de 2018. O processo seletivo será realizado em três etapas: enquadramento, mérito e homologação. Os documentos exigidos e os itens financiáveis podem ser conferidos aqui.

O coordenador deverá ter vínculo com a Instituição proponente; ser líder de grupo de pesquisa cadastrado no Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); apresentar plano de trabalho a ser cumprido pelo pesquisador visitante na instituição onde está lotado o coordenador; e indicar necessidades, relevância, contribuição e expectativas de resultados para a Instituição decorrentes do trabalho do pesquisador visitante.

Fonte: CEFET-MG

Câmara aprova MP que aumenta alíquota do minério de ferro de 2% para 3,5%

O Plenário da Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória 789/17, que aumenta alíquotas da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (Cfem), uma espécie de royalty pago pelas mineradoras a estados e municípios. A matéria perde a vigência no dia 28 deste mês e precisa ser votada também pelo Senado.

O texto aprovado – uma emenda de Plenário do relator, deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) – altera também a distribuição dos recursos entre os órgãos e entes federados beneficiados.

Para a maior parte dos minerais extraídos no Brasil, as alíquotas continuam variando de 0,2% a 3%, com aumentos para alguns tipos de minerais e diminuição para outros.

Quanto ao minério de ferro, responsável por 75% da produção mineral brasileira, a alíquota máxima passa de 2% sobre a receita líquida para 3,5% sobre a receita bruta, descontados os tributos, podendo ser diminuída para até 2%.

A MP original previa alíquota segundo uma cotação internacional (Platts Iron Ore Index – Iodex) em cinco faixas de incidência em razão do preço por tonelada.

A redução da alíquota caberá à Agência Nacional de Mineração – ANM (criada pela MP 791/17) em razão do teor de ferro, da escala de produção, do pagamento de tributos e do número de empregados para não prejudicar a viabilidade econômica de jazidas de baixos desempenho e rentabilidade.

Alíquotas
Em relação às alíquotas atuais de outros minerais (Lei 8.001/90), o ouro extraído por mineradoras passará a pagar 1,5% em vez de 1% atuais. Esse índice também foi fechado em Plenário, pois na comissão mista o percentual era de 2%.

O diamante extraído por mineradoras, que paga atualmente 0,2%, passará para 2%. Na MP original o aumento era para 3%. Já o nióbio teve a alíquota reajustada de 2% para 3%.

Potássio, rochas fosfáticas, sal-gema e demais substâncias usadas na fabricação de fertilizantes pagarão a Cfem com alíquota de 0,2%. No relatório da comissão mista, potássio e fosfato pagariam 1% e sal-gema 3%.

As alíquotas previstas na MP entraram em vigor em 1º de novembro deste ano.

Venda ou consumo
Para fazer a adequação da cobrança desse royalty à complexidade das relações empresariais, o texto define novas situações de incidência. Além da venda, também o consumo, a transformação e a utilização da substância mineral serão considerados como fato gerador até 31 de dezembro de 2017, quando novas definições consolidarão a forma de cobrança.

A Cfem incidirá quando do consumo do mineral sobre a receita bruta calculada segundo o preço corrente do bem ou o valor de referência, definido a partir do valor do produto final obtido após a conclusão do respectivo processo de beneficiamento.

Exportações
Nas exportações, o relatório de Marcus Pestana prevê que a base de cálculo a ser considerada será, para todos os casos de exportação, o preço parâmetro definido pela Receita Federal ou, na sua inexistência, o valor de referência.

O texto original da MP previa essa base de cálculo para as exportações realizadas para empresas vinculadas ou domiciliadas em países com tributação favorecida.

Caberá à ANM determinar se será o preço corrente ou o valor de referência, que será definido a partir de metodologia estabelecida em decreto presidencial para garantir um valor maior para jazida com maior teor da substância de interesse.

Outros casos de incidência são a arrematação quando da compra em hasta pública e o valor da primeira aquisição do bem mineral na hipótese de extração sob o regime de permissão de lavra garimpeira (garimpeiros).

Será considerado consumo o uso do bem mineral também pelo arrendatário e pela empresa controladora, controlada ou coligada. Já os rejeitos e materiais estéreis resultantes da exploração mineral da área serão considerados como bem mineral para efeitos de tributação se vendidos ou consumidos. Entretanto, se eles estiverem associados em outras cadeias produtivas a alíquota será reduzida em 50%.

Outras mudanças feitas pelo relator retiram determinados procedimentos do conceito de beneficiamento, como a sinterização, a coqueificação e a calcinação, por serem considerados processos químicos ou físicos característicos de processo industrial.

Fonte: Agência Câmara Notícias

Funcionamento FCM – 20/12/2017

Devido a relização da festa de confraternização da FCM, hoje dia 20/12/2017, funcionaremos com o horário reduzido, encerraremos às 17:30h.

O dia em que o bitcoin sai das sombras

bitcoin, a criptomoeda sensação de 2017, dá um novo passo para deixar de ser um ativo marginal nesta segunda-feira.

A Chicago Mercantile Exchange (CME), maior bolsa de mercados futuros do mundo, começa a negociar opções e futuros em bitcoin.

O desafio vai ser definir preços futuros para uma moeda que não para de subir a cada hora. Na precificação inicial, no domingo, os contratos para janeiro começaram a ser vendidos a 20.650 dólares por cada bitcoin.

O valor das opções de compra é pouco acima da máxima que a moeda alcançou neste domingo, 19.783 dólares, segundo o site especializado em notícias de bitcoin, Coindesk.

No dia primeiro de janeiro, um bitcoin valia cerca de 1.000 dólares. Analistas acreditam que com a entrada na CME, seguida do início das operações de futuros da moeda na bolsa de futuros Chicago Board Options Exchange (CBOE) na semana passada, deve trazer maior valorização à moeda e também estabilidade ao preço, que estaria menos suscetível a flutuações abruptas com a negociação dos futuros.

Nos Estados Unidos, investidores institucionais são proibidos de comprar e operar dinheiro de fundos em bitcoin porque o mercado não é regulado.

Mas com a entrada de futuros nesse mercado é possível apostar no valor futuro da moeda negociando contratos que garantem a opção de compra futura do ativo a um determinado preço.

Os contratos da CBOE são baseados nos preços da casa de câmbio Gemini. Já os contratos da CME que começam a ser negociados hoje têm seus preços cotados de acordo com uma gama de casas de trocas, o que garante maior transparência aos investidores.

O bitcoin já tem ganhos na casa dos 2.000% no ano.

 

Fonte: Exame

Tecnologia em pequenas empresas não é luxo: é sobrevivência (e as grandes que se cuidem!)

Existem algumas ideias equivocadas sobre o mundo de tecnologia digital. Talvez a mais comum seja que os investimentos nessa área são um custo para a empresa. Outra é que apenas grandes companhias têm capacidade de investir e também de ter ganhos com isso. As duas vêm de tempos em que era necessário criar grandes estruturas de equipamentos, software e pessoal de TI. Mas isso é passado! A realidade atual é completamente oposta: qualquer empresa, mesmo as pequenas, consegue investir em tecnologia de ponta e tirar grande proveito disso. E tem mais: longe de ser um custo, é uma ferramenta de produtividade crítica!

Não é papo de vendedor. A tecnologia está mais acessível que nunca. Ela permite que jovens empreendedores sonhem e executem modelos de negócios inovadores, que posicionam suas empresas como concorrentes ferrenhos de corporações centenárias. E muitos deles já estão levando a melhor sobre os modelos tradicionais em segmentos como varejo, comunicação, indústria eletrônica, finanças, transporte, hospedagem, educação, saúde, entre tantos outros. Assistimos a empresas-bebês colocando concorrentes-dinossauros para fora do mercado.

Presenciei isso muito de perto sendo Mentor de Conteúdo do SAP Forum, na terça e na quarta passada. Para se ter uma dimensão desse evento, é o segundo maior da empresa no mundo, perdendo apenas para o Sapphire, que acontece nos EUA. O Forum reuniu mais de 8.000 profissionais, que puderam acompanhar 452 sessões de conteúdo, showcases e workshops. Apesar de tantos números maiúsculos, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi a diversidade nos expositores e especialmente no público: muita gente buscando jeitos criativos de usar a tecnologia em seus negócios, mesmo os pequenos.

Tanto é verdade que Cristina Palmaka, presidente da SAP Brasil, destacou o tema na entrevista que me concedeu, transmitida ao vivo do Forum e que pode ser vista acima (10 minutos): “falar de inovação não é mais uma vantagem ou um luxo das grandes companhias.” Para a executiva, muitas pequenas empresas veem a tecnologia como seu diferencial. “Se as empresas não estiverem olhando todo esse arcabouço tecnológico, elas terão um problema sério de existência”, explica.

Isso não é ficção científica: está totalmente integrado ao nosso cotidiano, graças a empresas que foram criadas seguindo o que Palmaka disse. Por exemplo, usou o Uber nos últimos dias? Navegou pelo Facebook? Fez uma busca no Google? Comprou no Mercado Livre? Hospedou-se pelo Airnnb? Assistiu a algo no Netflix? Pagou pelo Nubank? Todas essas empresas hoje são colossais, mas surgiram de usos criativos da tecnologia para atender a necessidades ou ideias geniais de seus criadores, às vezes com investimentos mínimos. Se tivessem tentado fazer as coisas do jeito “tradicional”, sem aproveitar a tecnologia que tinham a sua disposição, provavelmente nunca teriam progredido.

Mas então é só sair usando a tecnologia digital para se dar bem?

 

Não deixe a zona de conforto matar você

Claro que a tecnologia digital por si só não resolve nada! Se fosse assim, teríamos muito mais empresas geniais por aí. Só que isso não acontece.

Tudo porque ela é apenas uma ferramenta. Um martelo –que também é tecnologia– pode ser usado para bater pregos ou quebrar pedras. Mas, na mão de um artista, serve para esculpir mármore e criar uma obre de arte.

O grande desafio, portanto, está na cabeça do empreendedor. “As resistências internas são culturais”, diz a presidente da SAP. E essa turma que prefere ficar na sua zona de conforto, mesmo sabendo que ela está com os dias contados, normalmente credita sua inércia a supostos altos custos e à dificuldade de se adotar novas tecnologias.

Nada mais equivocado! Elas estão muita mais baratas, graças a inovações como a “computação na nuvem”, que dispensa pesados investimentos em aquisição e manutenção de equipamentos. Do lado do software, a compra de caras licenças vem sendo substituída pelo conceito de “software as a service”, ou seja, agora se aluga o sistema, ao invés de comprá-lo. Até mesmo o uso e implantação foi simplificado. Empresas como a própria SAP e seus concorrentes ajudam nessa tarefa, agilizando todo o processo.

“Talvez, para começar pequeno, controlar em uma planilha está ok”, sugere Palmaka. “Mas, a partir do momento em que você sai da centralização das informações em pessoas e começa a crescer, você precisa ter a garantia de que os sistemas vão te dar essa robustez”, afirma.

Mas então o que escolher nesse vasto cardápio tecnológico?

Use tudo –e apenas– o que você precisa

Não é porque nova tecnologia está disponível, que temos que adotá-la, seja ela nova ou já estabelecida. O sucesso desses investimentos passa também por conhecer todas as opções e escolher tudo –e apenas– aquilo que pode agregar valor ao nosso negócio.

“Empresas diferentes vão ter ideias diferentes para avançar seus negócios e para inovar”, explica Luis Cesar Verdi, Chief Customer Officer da SAP na América Latina, e responsável na região pelo SAP Leonardo, a estrela desse Forum.

“Inovação significa fazer coisas diferentes agregando valor ao negócio, agregando valor ao cliente”, explica Verdi. “Pequenas empresas também fazem isso; médias também.”

O próprio Leonardo não pode ser caracterizado como um produto convencional. Ele é um conjunto de tecnologias –big datamachine learningInternet das coisasblockchain, sistemas analíticos– que funcionam de maneira integrada, mas que podem ser contratadas individualmente, de acordo com as necessidades de cada cliente.

“O cliente não compra, ele assina esses serviços”, diz o executivo. “E ele vai contratar na medida de sua necessidade: empresas pequenas vão contratar menos; empresas maiores vão contratar mais.”

É interessante notar que a SAP ou qualquer outra empresa não produz toda a tecnologia necessária para qualquer cliente. Por exemplo, os equipamentos necessários para o uso do módulo de Internet das coisas do Leonardo necessariamente vêm de outros fabricantes. E isso é uma das belezas dessa nova forma de investir em tecnologia digital: as empresas, qualquer que seja seu porte, não precisam mais ficar atreladas a um único fornecedor. É possível combinar as soluções mais adequadas para cada necessidade.

“O que chegou é justamente a necessidade de inovar e aproveitar as novas tecnologias para criar novas formas de se comunicar com o cliente, novas formas de agregação de valor, desintermediação e comunicação direta com os consumidores”, explica Verdi.

Você pode estar dizendo para si agora: “ah, mas isso não é para mim. Eu sou pequeno demais para qualquer uma dessas coisas!”

É mesmo? Você é menor que os vendedores ambulantes da areia da praia? Pois muitos deles já carregam terminais 4G para aceitar cartões. E assim não perdem mais vendas porque o cliente está sem dinheiro vivo.

E então, qual será a sua postura com relação a investimentos em tecnologia digital?

 

Fonte: http://brasil.estadao.com.br/blogs/macaco-eletrico

O desafio de fazer pesquisa científica no Brasil

Um país não faz ciência apenas investindo financeiramente em cientistas e laboratórios. Esses investimentos são necessários, mas não são suficientes. É preciso ter em mente que o progresso está naquilo de positivo que a ciência pode oferecer a um país e aos seus cidadãos. E isso fica claro quando se analisa a situação do apoio à pesquisa científica no Brasil, que ainda sofre, muito mais do que de falta de recursos, de uma burocracia sem fim que atravanca toda e qualquer iniciativa. Além disso, os cientistas brasileiros estão enfrentando grandes desafios em 2016, com cortes ainda maiores nos orçamentos e a arrecadação menor afetando as agências de financiamento.

A pesquisa científica brasileira corresponde a apenas 3% da produção mundial. Segundo o ranking da Nature Index, que se constitui de um conjunto de artigos científicos publicados anualmente em um seleto grupo de jornais de alta qualidade, o Brasil ocupa a 24ª posição mundial no que concerne à produção de artigos, com 991 produções contabilizadas. Destas, 760 advêm da área de Física, 160 das Ciências da Vida, 45 das Ciências Ambientais e 93 artigos da área de Química.

Segundo os especialistas, as publicações são particularmente importantes no início da carreira, para que o pesquisador se exponha e exponha seu trabalho à comunidade científica de sua área. Isso traz possibilidades de intercâmbio que podem ajudar as pesquisas a gerarem bons frutos. Mas o que dificulta a realização de pesquisas científicas no Brasil? O que preocupa o pesquisador que realiza um estágio promissor fora do país na hora de retornar, e aplicar o que aprendeu na prática?

Para Alexander Birbrair, biologista celular que está retornando ao Brasil depois de um pós-doutorado na área de pesquisa de células-tronco no hospital Albert Einstein, em Nova York (EUA), a burocracia que cerca a importação de material científico ainda é um dos principais entraves para a realização das pesquisas. “A principal diferença entre o que é praticado no Brasil e nos Estados Unidos está no investimento que se faz em ciência. Se esse investimento fosse equivalente, o Brasil facilmente estaria na frente. Como as vantagens dos Estados Unidos são principalmente econômicas, isso pode ser mudado no Brasil se houver maior investimento na ciência e nos cientistas que já estão no país fazendo trabalhos maravilhosos e publicando artigos em renomadas revistas científicas”, disse. Além disso, os altos preços cobrados pelos materiais e a demora na entrega fazem com que o país vá perdendo espaço para países europeus e Estados Unidos.

Birbrair, que tem experiência nas áreas de Biologia e Genética Molecular, Farmacologia, Fisiologia, Patologia e Biologia Celular, ilustra seu comentário contando uma experiência pessoal vivida recentemente que mostra como a burocracia pode afetar negativamente a pesquisa científica. “Há alguns meses demos início a um estudo e para isso precisamos trazer camundongos transgênicos dos Estados Unidos para o Brasil. O processo levou mais de três meses. Já nos Estados Unidos, quando realizamos o mesmo trâmite, com animais vindos do Japão, levamos apenas duas semanas”.

Carlos Kiffer, pesquisador na área de Epidemiologia de Resistência Bacteriana na Escola Paulista de Medicina e coordenador médico de um laboratório de pesquisas farmacêuticas, ressalta: “Falta de investimento se contorna com parcerias, buscas de novos recursos, criatividade e gestão eficiente. Mas a burocracia, a meu ver, contradiz uma das essências da pesquisa científica – a criatividade”.

Nas pesquisas corporativas da área farmacêutica, diz ele, as maiores dificuldades estão relacionadas à falta de políticas nacionais amplas para investimento em inovação farmacêutica, com linhas de fomento duradouras e sustentáveis, acordos internacionais sólidos, melhorias na cadeia de suporte à pesquisa farmacêutica, fixação de pesquisadores no Brasil e parcerias mais ágeis entre universidades e empresas”, diz Kiffer.

Para Marcos Eberlin, que atua no Laboratório ThoMSon de Espectrometria de Massas, vinculado ao Instituto de Química (IQ) da Universidade de Campinas (Unicamp), o Brasil ainda está muito isolado do resto do mundo, por isso as dificuldades com importação de materiais e equipamentos. “Temos muitos desafios a serem vencidos, mas com certeza eles já foram maiores. Na área em que atuo temos uma quantidade significativa de boas empresas no país, com bons produtos e prazos de entrega mais ágeis”, diz. Eberlin foi o primeiro cientista sul-americano a receber a medalha J. J. Thomson, conferida bianualmente pela Fundação Internacional de Espectrometria de Massas, em agosto, durante a 21ª Conferência Internacional de Espectrometria de Massas, realizada no Canadá. Seu nome foi escolhido entre 17 candidatos indicados graças aos relevantes serviços para o desenvolvimento e propagação da espectrometria de massas.

Diz ele, ainda, que diante das condições impostas aos pesquisadores brasileiros, muito se tem feito. “Ainda sofremos muito preconceito contra a ciência praticada nos países do terceiro mundo; muitos dos nossos trabalhos são vistos com restrição, e mesmo assim temos feito muita pesquisa interessante com o pouco que temos”.

Em virtude das dificuldades em se realizar pesquisa científica no Brasil e em países em desenvolvimento, se presencia uma emigração de pesquisadores para países com tradição nesse segmento. Os principais problemas enfrentados pelos pesquisadores, no Brasil, são os baixos salários, dificuldades para se conseguir financiamento e para se dedicar integralmente à pesquisa.

 

Integração com o setor produtivo

Com recursos expressivos aplicados de forma continuada e um programa de formação de pesquisadores no exterior, um país pode formar pesquisadores de nível internacional capazes de obter importantes prêmios acadêmicos. Porém, esses mesmos pesquisadores, apesar de brilhantes, podem estar desvinculados da realidade do seu país de origem, que não conseguem transformar seu conhecimento em benefícios para a melhoria da qualidade de vida das pessoas.

Segundo os pesquisadores, para que o Brasil se torne uma potência científica, é necessária uma mudança profunda em toda sua estrutura, desde a desburocratização da política de exportação e importação de material científico até investimentos vindos da iniciativa privada. As empresas brasileiras ainda não exploram o potencial da interação com institutos de pesquisa e universidades.

“Temos evoluído nos últimos anos em relação a esta integração, onde diversas iniciativas de parcerias entre universidades e empresas têm sido bem-sucedidas. Porém, nossa compreensão entre as partes – universidades e empresas – ainda precisa ser aprimorada. Além disso, nosso ambiente jurídico é bastante complexo, com muitos percalços para os investidores que precisam planejar bem seus projetos e estimativas de retorno”, analisa Kiffer. Segundo ele, seriam muito bem-vindas medidas que dirimissem estes percalços legais e fomentassem a profissionalização da gestão da inovação e da pesquisa nas entidades públicas.

Em países como os Estados Unidos, há muitas parcerias entre empresas e universidades, o que resulta em maior produtividade. “Nada se faz sozinho na ciência, e quanto mais parceiros qualificados, melhores serão os resultados obtidos”, ressalta Birbrair.
Segundo Kiffer, apesar de existirem linhas de financiamento público e privado para pesquisa, o maior gargalo é a manutenção de investimentos duradouros, sustentáveis e alinhados com uma política nacional de ciência e pesquisa. “Flutuações e falta de perspectiva são extremamente lesivas à ciência, que tem retornos e avanços a longo prazo”.
Futuro

O Brasil é tido, por muitos pesquisadores, como um país com vocação para pesquisa em diversas áreas e é um líder na geração de conhecimento científico. Houve aprimoramento do parque tecnológico, da formação de mestres e doutores e ampliação das universidades. “A ciência do Brasil está em um nível muito bom e crescendo cada vez mais. Seguir os passos de grandes cientistas brasileiros que já fazem ciência de altíssima qualidade no Brasil e se destacam mundialmente é o objetivo a ser alcançado”, avalia Birbrair.

Mas ainda há muito a ser feito. Na opinião de Kiffer, uma boa maneira de começar seria definindo uma política nacional de fomento à ciência e à pesquisa de longo prazo. “Isto significa que esta política deveria começar fomentando a educação científica na base e seguindo até o topo das instituições acadêmicas e das empresas, com estímulos e apoios duradouros à inovação e à ciência”.

Ele comenta que existem iniciativas interessantes nas áreas de análises clínicas, como testes diagnósticos, facilidade das etapas pré-analíticas, redução de tempos de exames, processos mais econômicos e análises de big-data. “Na área farmacêutica, diversos novos medicamentos e produtos requerem o desenvolvimento conjunto de métodos analíticos clínicos. Seguramente existe um campo vasto a ser explorado. No Brasil, ressalto em particular a necessidade de se estimular pesquisas com big-data na área de análises clínicas”, avalia Kiffer.

A melhor estratégia para que a ciência possa crescer no país, na opinião de Birbrair, pode estar no intercâmbio que já ocorre em vários laboratórios brasileiros, mantendo uma troca ativa de conhecimento. “Acredito que os alunos brasileiros são de altíssima qualidade. Muitos dos cientistas que atuam nos Estados Unidos são estrangeiros, e grande parte destes são latinos, incluindo muitos brasileiros. Ou seja, a formação no Brasil é boa e isso tem que ser aproveitado”.

A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) investe cerca de um R$ 1 bilhão por ano em projetos de pesquisa científica e tecnológica. As bolsas são destinadas à formação de pesquisadores, desde a iniciação científica até o pós-doutorado. A fundação só pode gastar 5% da receita com questões burocráticas. Dos efetivos 95% que são investidos, para a área da saúde são destinados 27,93%, que inclui desde as bolsas de mestrado, doutorado e pós-doutorado, até os investimentos nas pesquisas da vacina contra a dengue, no Instituto Butantan – atualmente em fase de testes clínicos –, ou no desenvolvimento de testes e vacina contra o Zika, realizados pela Rede Zika, constituída pela Fundação.

A notícia de cortes nas verbas destinadas à pesquisa pelas principais agências de fomento à inovação repercutiu negativamente entre os pesquisadores brasileiros. “Os investimentos públicos precisam ser constantes, sem interrupções e alinhados às políticas de inovação nas áreas que o país almeja. Infelizmente, não são investimentos de retorno em curto prazo; em sua maioria requerem amadurecimento das fontes de financiamento para compreender que darão retorno em longo prazo”, comenta Kiffer. Diz ele, ainda, que cortes de orçamento e interrupções de financiamentos trazem prejuízos imediatos e de longo prazo à nação. Vários destes prejuízos são de muito difícil percepção imediata, e só serão sentidos daqui a alguns anos.

O mesmo se aplica aos recursos de investimentos privados, que precisam estar alinhados à política empresarial e de longo prazo. “Se o investimento em pesquisa for pontual e com visão de curto prazo, o retorno, na melhor das hipóteses, será pontual e sem grande relevância. O ambiente privado ou corporativo, nas empresas que investem em inovação, está relativamente bem preparado para gerir tais investimentos, embora ainda careça de amadurecimento em diversas áreas”.

 

Por Cristina Sanches

Fonte: http://www.labnetwork.com.br

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