– Informar ao segmento produtivo sobre o nível de adaptabilidade de lambari, jundiá cinza, catfish e tilápia linhagem SC03 Epagri, para cultivo em tanques elevados sob RAS, no período de inverno, na região do Campo das Vertentes – MG; – Disponibilizar ao piscicultor mineiro informações referentes à estratégia produtiva e espécies capazes de atenuar o efeito das mudanças climáticas e suas interferências negativas sobre a produtividade e rentabilidade do negócio; – Diversificação do modal produtivo de peixes comerciais no estado de Minas Gerais por meio da difusão da estratégia de cultivo em tanques suspensos com recirculação d’água – RAS; – Determinar a eficiência zootécnica, econômica e ambiental de lambari, jundiá cinza, catfish e tilápia linhagem Epagri, cultivados em RAS em condição de inverno da região do Campos das Vertentes – MG; – Comparar o desempenho zootécnico, econômico, ambiental e status sanitário de uma linhagem de tilápia selecionada para climas mais frios com outra linhagem não melhorada para essa f inalidade, cultivadas em RAS; – Ampliar a atividade de piscicultura comercial no Estado por meio da validação dos “peixes de inverno”; – Comprovar se o emprego de estufas aquícolas melhora de forma expressiva o desempenho zootécnico dos peixes cultivados sob sistema RAS, no período de inverno da região do Campo das Vertentes; – Averiguar se os rendimentos de cortes comerciais das espécies cultivadas em RAS são similares à de outros sistemas produtivos; – Verificar se há diferença de rendimento de carcaça e cortes entre o processamento manual e mecanizado, para lambari do-rabo-amarelo; – Avaliar o estado de saúde dos peixes cultivados em relação ao comportamento e infestação/infecção parasitológica; – Testar a aceitabilidade de espécies como lambari, jundiá cinza e catfish por alunos e usuários do restaurante universitário da UFSJ.
Resumo:
A piscicultura gera aproximadamente três milhões de empregos diretos e indiretos e o Brasil é o quarto maior produtor mundial de tilápia, 662,2 mil toneladas, correspondente a 68,3% da produção nacional. Mais de 90 % da produção de tilápia em Minas Gerais está concentrada em poucos polos, baseada, principalmente, no sistema de tanque-rede em grandes reservatórios, como os de Três Marias e Furnas. Os maiores polos encontram-se em regiões com temperaturas médias mais elevadas, com exceção de Furnas. Para que haja diversificação do modal produtivo e ampliação da atividade de piscicultura desde pequenos até grandes produtores, torna-se necessário desenvolver e adaptar estruturas e protocolos capazes de viabilizar a produção aquícola desta e outras espécies nas demais regiões do estado. Tais regiões podem apresentar características peculiares que promovem algum tipo de restrição ao cultivo comercial de peixes “tropicais” e à instalação de sistemas produtivos convencionais como viveiros escavados. Além dessas características, outro fator que tem trazido sérias implicações negativas à atividade constitui-se na imprevisibilidade climática, com a ocorrência de intempéries foras do padrão histórico como secas severas, enchentes, granizo, temperaturas atípicas, dentre outras. Por haver o reuso contínuo da água, pequena taxa de renovação diária e aeração forçada, além de outros mecanismos de controle, o Sistema de Recirculação de Água (RAS) pode apresentar-se como opção real para o convívio com boa parte dessas condições desafiantes de campo. O presente trabalho objetiva avaliar a criação de quatro espécies comerciais em RAS (tilápia linhagem SC03, jundiá cinza, catfish e lambari-do-rabo amarelo), utilizando tanques elevados, sob o efeito do período de inverno no Campo das Vertentes – MG, região mineira composta por 36 municipios com clima tipicamente mais frio, considerando os aspectos zootécnicos, econômicos, ambientais, sanitários e rendimento de carcaça.
Resultados:
Santa Catarina é o quarto maior produtor nacional de tilápia no ranking brasileiro, conforme dados do Anuário da PeixeBR 2025. Um dos fatores que contribuíram para esse destaque foi a introdução de um programa de melhoramento genético da tilápia, linhagem GIFT-Epagri, pela Epagri. A GIFT-Epagri SC03 apresentou, durante a fase de recria em temperaturas subótimas (20°C a 24°C) para a tilápia, um aumento de 29,3% no peso final e uma redução de 13,9% na conversão alimentar. Essa temperatura subótima na faixa de 18°C a 24°C da água é a de maior ocorrência no período de inverno das regiões do Campo das Vertentes e secção Sul e Sudoeste do estado de Minas Gerais. As espécies tropicais não se adaptam bem, apresentando proeminente queda no seu crescimento, bem como não é uma faixa adequada para espécies de clima frio, como a truta, que já demandam temperaturas na faixa entre 10°C e 18°C para uma reprodução e crescimento satisfatórios. Considerando que essas três regiões administrativas do estado perfazem 62.087,56 Km² (cerca de 10% da área total de Minas Gerais), a estratégia de ampliação da piscicultura com o emprego de “peixes de inverno” resultará em incremento significativo na produção de pescado, via aquicultura, para o estado de Minas Gerais. Além de amenizar o desafio de invernos mais rigorosos por se constituir num sistema fechado, passível de cobertura de estufas agrícolas, a modalidade produtiva com tanques elevados em RAS também possibilita a operação em áreas menores, com relevo mais acidentado, com baixa vazão de água por gravidade ou mesmo dependente de bombeamento, bem como, aproxima o setor produtivo da casa sede e outras benfeitorias, conferindo maior segurança e operacionalidade. Ao contornar essas e outras condições dificultadoras, o modelo em RAS facilita a ampliação da atividade exatamente naqueles espaços em que a piscicultura em viveiros escavados, não apresentaria viabilidade técnica, na grande maioria dos casos. Em adição, a estratégia produtiva em RAS abre um leque maior de oportunidades para a integração da piscicultura com outras atividades já em operação na propriedade rural. Portanto, apesar do ensaio preconizar o cultivo de espécies mais adaptadas à períodos de inverno, a aplicabilidade desse conhecimento é muito ampla em termos geográficos, em face da ocorrência de microclimas com temperaturas mais amenas em outras regiões do estado e aos efeitos das mudanças climáticas, que trazem consigo maiores riscos de perdas de produção.