Globalmente, eventos climáticos extremos tornam mais severas inundações, secas e outros fenômenos naturais, causando grandes danos ao ecossistema e aos habitats humanos. O chamado colapso ambiental é impulsionado por um sistema econômico no qual os fatores de mudança climática, degradação ambiental e desigualdade social e de gênero estão interconectados. As consequências desses eventos são devastadoras em centros urbanos e atingem principalmente pessoas mais pobres. A Agroecologia é um campo de confluência para construção de alternativas e na mitigação de impactos, ao unir ciência, técnica, tecnologia e movimento social, sobretudo a partir da Educação Básica. A presente proposta se constitui como um conjunto de pesquisas com intervenção e desenvolvimento de ações inovadoras que partem da conexão entre a Agroecologia, o Saneamento Ambiental e a Engenharia Popular (EP), com o uso da abordagem STEAM, na Escola Estadual Professora Nair de Oliveira Santana. São propostas metodologias inovadoras e interdisciplinares que abordam soluções para as mudanças climáticas, visando fortalecer a capacidade analítica, a criatividade e o engajamento dos sujeitos do território. A abordagem da EP será focada em práticas das chamadas soluções baseadas na natureza (SbN), tendo a escola como território irradiador para outras ações no seu entorno e com a possibilidade de atuação em outras escolas da mesma região. A partir de uma equipe multidisciplinar, destacam-se as ações: construção de unidades produtivas, projetos de coleta e reuso da água de chuva, compostagem de resíduos sólidos e produção agroecológica, além de ciclos formativos, eventos culturais e produção de materiais didático-metodológicos que envolvem a abordagem STEAM. Almeja-se como resultado transformações do espaço escolar e da própria comunidade ao redor, contribuindo com o interesse e a permanência de jovens na área científica, tecnológica e de inovação.
Resultados:
Como resultado, propõe-se a alteração do espaço escolar, tornando as unidades produtivas espaços de mediação dos conhecimentos das engenharias, da CT&I, da arte, da matemática e de outras disciplinas. Em contexto de desigualdades raciais, de gênero e classe, acredita-se no potencial de projetos em rede, considerando a escola um núcleo irradiador para outras experiências e possibilidades de aproximação com CEFET-MG e outras instituições parceiras. Entendemos que a construção de unidades produtivas agroecológicas na escola oferece uma oportunidade para aplicar os conhecimentos que envolvem os princípios da Agroecologia e Saneamento Ambiental e que entrelaçam o ensino e a abordagem STEAM. Alguns resultados e impactos da proposta: – Oficinas envolvendo a discussão sobre a qualidade e quantidade das águas superficiais e importância do saneamento ambiental para a conservação e preservação dos recursos hídricos. As oficinas serão desenvolvidas de forma colaborativa com os alunos e docentes da escola, com o Laboratório de Hidrologia do CEFET-MG, na articulação com a professora integrante da equipe que coordena o espaço. – Construção de unidades produtivas agroecológicas na Escola parceira, na favela Cabana do Pai Tomás, Belo Horizonte/MG: 1 horta comunitária, 1 mudário, 1 horta de plantas medicinais. – Oficinas sobre mecanismos da computação e da programação para o aprendizado e a organização de unidades produtivas agroecológicas com discentes. Busca-se usar o espaço do laboratório de informática, corriqueiramente ocioso, conforme relato dos sujeitos, para oficinas que trabalhem ferramentas da computação e que também forneçam subsídios para a discussão das – ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática.